Mensagem Poética

"Sê bom. Mas ao coração prudência e cautela ajunta. Quem todo de mel se unta, os ursos o lamberão" Mário Quintana



Olá! Meu nome é Andréia. O objetivo desse blog é publicar as redações dos meus alunos, bem como ser um espaço de interação e construção do conhecimento acerca da literatura e do mundo da escrita.

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quinta-feira, 26 de maio de 2016

Crônicas e Contos para o Ensino Médio - Professora Marly




       A Crônica foi o gênero estudado no 1º bimestre de 2016. Exatamente por ter o cotidiano como principal fonte temática, revela aspectos da sociedade na qual se insere a situação narrada e nos faz refletir acerca do comportamento social  humano. A partir de uma notícia de jornal em que a modelo Kate Mass joga o computador do namorado na piscina, os alunos do 2º ano do Ced 01 foram motivados a escrever uma crônica, tendo como "pano de fundo" conflitos em relacionamentos amorosos. Já os alunos do 3º ano, após a leitura do conto psicológico "O gato preto" de Edgar Alan Poe, tiveram que reescrevê-lo a partir de uma outra perspectiva que poderia ser a do vizinho, a do gato ou a da esposa. Em seguida, temos alguns exemplos escritos por eles:

Confusão em alto mar - Crônica

        Essa semana fui selecionada para trabalhar em um cruzeiro que saiu do Rio de Janeiro, partindo para Salvador e depois destinando para outros lugares. Eu estava empolgada, pois era a primeira vez que eu ia exercer o meu trabalho em um navio. Acordei mais cedo que o normal e deixei meus filhos na Dona Maria, minha comadre, e passei logo as instruções para Pedro e Júlia, dei um beijo na testa deles, deixei um papel com o meu número. Como os funcionários não podiam se atrasar, me apressei e fui.
          Cheguei no horário. vesti meu uniforme, e fiquei esperando a ordem do chefe para começar os trabalhos. Os passageiros foram chegando e ocupando seus quartos, e logo cada um foi fazer o que gosta, alguns foram pra piscina, outros foram procurar a sala de cinema, e eu comecei a passar pelos quartos limpando. Quando entrei no quarto 401, vi que tinha um casal deitado e percebi que eles não haviam apertado o botão autorizando a limpeza, então me retirei antes que eles percebessem a minha presença. 
          Ao anoitecer, teria um baile e eu ia ter que ficar acordada até mais tarde. Estava tudo lindo. Vários já estavam servidos e satisfeitos, então aproveitei que estava tudo certo e fui até a área externa do salão, onde estavam vários hóspedes, inclusive o casal do 401. O rapaz estava sentado em uma espreguiçadeira e a moça ao lado tomando um drink. Percebi que havia lixo perto deles, logo fui recolher, e nesse pouco tempo pude notá-los entrando em uma discussão. Ela levantou jogando a taça no chão e ele levantou em seguida e segurou os braços dela e pediu que ela se acalmasse. Ela o empurrou e arremessou o computador dele na piscina e saiu furiosa. Eu fiquei assustada e fui perguntar pra ela se estava tudo bem, ela não me deu ouvidos, me ignorou e foi seguindo para o seu quarto. Ele viu tudo e me pediu desculpas, e me revelou que eles estavam em lua de mel. Ela teve crises de ciúmes porque viu mensagens da ex-namorada dele, que por acaso também estava no navio. Quando ela a viu disse que queria sair do navio. Eu disse que sentia muito. Em seguida ele pegou seu computador na água e foi para o quarto, eu catei restos de vidro no chão, coloquei no saco e fui para o salão novamente. A noite pra mim acabou maravilhosa, mas já não digo o mesmo para eles.

Emily Fontes - 2º B



De Namorados a desconhecidos - Crônica


      Essa era a semana do Capital Fashion Week e claro, o mundo da moda, tanto para os lindos modelos que desfilam, quanto para estilistas, diretores de redação e inclusive eu, que sou jornalista e repórter e fui escolhida entre tantos outros bons jornalistas da revista em que trabalho para cobrir o evento

      Na sexta-feira, cheguei para trabalhar e encontrei um bilhete do meu chefe que dizia: "Patrícia, assim que ler esse bilhete, vá até minha sala (assunto importante). Abraço, Sr. Moarcyr!". Amassei o papel, sentei e tomei um gole do café que estava em minha mesa, respirei fundo e levantei. No caminho da sala do chefe, me deparo com o João me perguntando se minhas coisas estavam prontas e logo depois deu um sorriso sarcástico. Juro que fiquei assustada, tremi, pensei em voltar para minha cadeira, mas mesmo  com medo e nervosa, fui.
      Dei três batidas na porta e entrei, sentei na cadeira em frente a sua enorme mesa de vidro, ele logo falou o assunto que eu tanto temia:
      - Patrícia, que bom que veio logo, vou ser direto.
      Olhei assustado para ele e respondi: 
      - Eu espero que seja mesmo, estou nervosa (com um sorriso de canto na boca)
      - Não fique nervosa, menina, bom, andei observando você todos esses dias e reparei que você está fazendo o seu serviço muito bem e que anda publicando uma matéria muito satisfatória, resolvi escolher você para cobrir o evento em Santa Catarina.
     Ele me entregou a passagem e um papel com o endereço do hotel que eu iria ficar e um envelope com dinheiro. Depois de me entregar tudo, ele disse:
      - Agora é só arrumar as malas e boa sorte. Ah! e o dinheiro é apenas para gastar com você, o resto está pago, inclusive o táxi.
      Apertei a mão dele, agradeci e saí da sala dele com um sorriso de orelha a orelha. Peguei minha bolsa e fui para casa arrumar as minhas malas. Com tudo pronto, peguei o táxi e fui para o aeroporto. No avião, comecei a ler tudo sobre o evento, os modelos que iam desfilar, os estilistas que iam estar presentes, até que peguei no sono. Quando acordei já estava em Santa Catarina.
      Peguei o táxi e ele me deixou no endereço que estava no papel, peguei as malas e fui até a recepção, dei minha identidade à moça. Quando olhei para o lado, mulheres altas, lindas, todas com salto e com roupas bem chamativas. Fiquei olhando e quando pensei em tirar a máquina fotográfica da bolsa, a mulher da recepção me chamou pelo nome, me entregou a minha identidade e disse:
      - Sra. Patrícia, o seu apartamento é o 1806 e fica no décimo oitavo andar. Os elevadores estão a sua direita e as escadas logo ao lado.
      Então, morrendo de curiosidade, resolvi perguntar:
      - Essas garotas são modelos?
      Ela me respondeu, educadamente:
      - Sim, Sra. Patrícia, são modelos do Capital Fashion Week e estão hospedadas no 1808 ao lado do seu apartamento.
      Vi a gerente olhar para ela e chamar a moça pelo nome, logo vi as duas discutirem sobre a ética do hotel e saí logo, antes que elas descobrissem que eu era jornalista.
      Subi até meu quarto, desfiz as malas  e estava pronta para o trabalho. Resolvi descer até a piscina, deitei em uma das espriguiçadeiras e estava lendo um livro, quando chega uma daquelas maravilhosas modelos com o namorado, e ele, assim como eu, deita com netbook no colo, ela resolve mergulhar. Depois de algumas braçadas, ela sai da piscina, se seca e deita em uma espreguiçadeira ao lado. Eles começam a conversar, e eu, fotografo cada gesto dos dois. Eles, então, começam a discutir, ela gesticulando muito, levanta e joga o netbook dele na piscina, ele questiona:
      - "Você está aqui para trabalhar assim como eu, não justifica você fazer isso". 
      Ela pega as coisas e sai, ele mergulha e tenta salvar o que restou. Eu, continuo a fotografar. Então, resolvo subir para me arrumar, até então, naquele evento, nada me interessou tanto quanto aquela discussão, foram fotos e mais fotos. O evento foi lindo, mas tinha me decidido: iria postar a matéria do netbook.
      Cheguei, então, em São Paulo e fui trabalhar para publicar a matéria. Bom, eu publiquei a matéria, fui promovida e desde aquele episódio minha vida só melhorou. Já eles....eles devem estar nas estatísticas de casais separados no Brasil.


Lorrany de Sousa - 2º B



O Gato Preto - Perspectiva do gato- Conto

          Eu tinha uma boa relação com meu dono. Ele estava sempre me acariciando e me tratava muito bem. Em um certo dia, ele começou a ficar estranho. Maldita bebida! Começou a surgir ódio no lugar do amor, e todos os seus animais sofriam, até eu. Não deu para entender como um cara tão amável, se transformara naquilo. Não demoraria muito para que algo acontecesse. Ele chegou em casa embriagado, eu não queria a presença dele, mas não pude impedir que ele me pegasse, foi aí que lhe mordi. Neste momento, senti uma fúria vinda dele. Quando vi o canivete, pensei -Agora é o meu fim-. Mas ele arrancou um dos meus olhos. Saí correndo de perto dele, com muita dor e um pouco zonzo. Eu ia me recuperando aos poucos, e sempre me afastava quando ele chegava. Minha aparência ficou horrível.
          Eu percebendo que a perversidade e raiva dele só aumentavam, fui me afastando. Porém, ele me pegou, amarrou uma corda em meu pescoço e pendurou-me numa árvore. Pude ver lágrimas em seus olhos, mas não sabia se eram de alegria ou de arrependimento. De uma coisa eu tinha certeza, isso não iria ficar barato.
          Ele não sabia que eu não era um gato comum, que eu poderia fazer muito, mesmo não estando vivo. Já era noite, quando comecei um incêndio em sua casa. Foi ótimo ver a cara de surpresa dele, quando na única parede que estava em pé, mostrava explicitamente a sombra de um gato sendo enforcado. Sim, era a minha sombra!
          Passaram-se meses, percebi que ele queria outro bichano. Foi então que vi minha chance de vingança. Entrei no corpo de outro gato, preto também, mas com uma mancha branca. Ele me viu na rua e começou a acariciar-me, o segui até sua casa. O corpo que agora era meu, também não tinha um dos olhos. Percebi que a esposa dele se apegou muito a mim, ela era uma ótima pessoa.
          Era noite, ele e a esposa estavam descendo as escadas para irem ao porão, foi quando ele tropeçou em mim. Como já era de se esperar, a raiva tomou conta dele, que rapidamente pegou um machado e tentou me acertar, porém desviei. O machado acertou a mulher, a pessoa que eu mais gostava naquele momento. Ela caiu no chão sem dar nenhum grito.
          Naquele momento, eu me escondi. Pude ver o desespero em seu rosto. Queria se livrar do corpo de algum modo. Foi quando ele viu uma parede em que os tijolos eram facilmente removidos. Abriu, então, um buraco na parede do porão, enquanto ele pegava o corpo, aproveitei para entrar e me esconder no buraco. Ele colocou o corpo da esposa lá dentro, fechou a parede e limpou tudo direitinho. Sentiu minha falta, mas não se preocupou muito.
          Passaram-se alguns dias, eu com fome e sede, escutei sons de sirene. Com certeza era a polícia. Fizeram perícia em toda a casa antes de virem para o porão. Meu dono parecia confiante que iria se safar dessa. Foi quando escutei algumas batidas na parede, dei um gemido seguido de um miado. Não demorou muito para que abrissem a parede. O corpo da mulher caiu no chão. Estava um cheiro horrível. Eu fiquei em cima do corpo por algum tempo, observando a aflição de meu dono, que não acreditava no que via. Pisquei para ele, e saí do local.


Eduardo Serra Rodrigues - 3º D


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