Mensagem Poética

"Sê bom. Mas ao coração prudência e cautela ajunta. Quem todo de mel se unta, os ursos o lamberão" Mário Quintana



Olá! Meu nome é Andréia. O objetivo desse blog é publicar as redações dos meus alunos, bem como ser um espaço de interação e construção do conhecimento acerca da literatura e do mundo da escrita.

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terça-feira, 15 de abril de 2014

Artigo de Opinião II

O Artigo de Opinião é um texto argumentativo, o objetivo dele é expor e defender o posicionamento do seu autor de maneira clara acerca de algum tema da atualidade. Apesar de dissertativo, pode ser escrito em primeira pessoa, uma vez que é escrito de maneira pessoal. É muito comum em jornais e revistas e muitas vezes parte de uma matéria referencial. No caso dos alunos das 8ª Séries do Ced 01 do Guará, seus textos partiram de uma matéria publicada pelo Globo Repórter sobre Anorexia e Bulimia. A tarefa dos alunos era comentar a matéria a partir da questão: de que forma a cultura da moda influencia o comportamento das pessoas? Abaixo vos apresento a matéria provocativa e algumas redações.

Imagem Distorcida
Na adolescência, o descontentamento com o próprio corpo passa a ocupar o universo de meninos e meninas. E a ditadura da estética agrava a obsessão. Por todo lado, fórmulas milagrosas. Como se enquadrar em um padrão de beleza que passa longe dos mais gordinhos? Pode estar começando aí uma batalha dolorosa.
Os números da insatisfação surpreendem. Uma pesquisa que ouviu mais de três mil adolescentes revela: três entre quatro jovens queriam um corpo diferente.
“A insatisfação leva a um padrão alimentar anormal, que traz sofrimentos para o corpo, doenças físicas que afetam diversos sistemas, como o cardíaco e o renal. Dessas dietas ditas normais, 35% evoluem para dietas patológicas. Então, daqui a 20 anos, vamos ter 75% de adultos doentes fisicamente também”, explica a psiquiatra Paula Melin
Vanessa Dellapruta de 19 anos tem o sonho que povoa a cabeça de milhões de adolescentes: quer ser modelo de passarela. A altura, 1,73 metro, não seria problema. A questão é a briga com a balança, que começou aos 10 anos. Com 1,55 metro, Vanessa chegou a pesar 70 quilos. Pelo menos dez acima do considerado normal para a altura. Ela cansou de ouvir piadas na escola. A comparação com a irmã era inevitável.
“A irmã era meio que um ídolo para ela. Na família, as pessoas diziam que ela estava gordinha e ela ouvia as pessoas falarem que ela deveria ficar como a irmã, que era magra. Diziam que ela estava gorda e ela dizia: ‘Eu quero ser aceita’”, conta a mãe de Vanessa, Elyan Dellapruta.
Para emagrecer e ser aceita, Vanessa radicalizou: reduziu a alimentação a 250 gramas de queijo branco por dia. Resultado: 32 quilos e um quadro de anorexia nervosa.
“Quando me olhava no espelho, eu achava que estava muito magra, que estava muito feia, mas eu tinha medo de engordar”, diz Vanessa.
Nos últimos nove anos, Vanessa conheceu o pior lado dessa obsessão pela magreza: quatro internações para cuidar da anorexia e de outros transtornos que surgiram. Ela se tornou compulsiva.
“Teve uma época que eu cheguei a fazer sete horas de exercício por dia”, lembra.
E os longos períodos de jejum também despertaram um desejo descontrolado por comida.
“Eu cheguei a comer uns 15 pacotes de biscoito de cada vez”, diz Vanessa.
Ela só exagerava porque em seguida vomitava tudo, acreditando que assim não iria engordar. Era a bulimia, um vômito provocado. A doença não ajuda a emagrecer. Ao contrário, provoca retenção de líquido e inchaço. As refeições balanceadas que hoje são servidas em quantidades e horários controlados fazem parte de um tratamento.
Vanessa é acompanhada 24 horas por uma enfermeira. Ela evita os exageros e orienta a jovem em todas as refeições.
“Oriento para que ela coma um pouco devagar, porque faz parte da compulsão comer rápido demais”, diz a enfermeira Damiana Gomes.
Vanessa está fora da escola há quatro anos. Ainda luta para controlar a doença. (...)
E nessa busca por ajuda, muitas vezes o jovem precisa ser levado pela mão. Poucos têm consciência do problema e procuram tratamento sozinhos. A Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro mantém um serviço gratuito para atendimento de transtornos alimentares, com uma equipe de profissionais voluntários formada por psiquiatra, psicólogos, nutricionistas e endocrinologistas. É cada vez maior o número de adolescentes com preocupação obsessiva pelo corpo.
A anorexia e a bulimia são problemas mais comuns entre as mulheres. A proporção é de dez meninas para um menino. Diego Barbosa, de 19 anos, era o gordinho da turma: tinha 87 quilos aos 14 anos. Nele, a anorexia se manifestou diferente. Achava que ia morrer sufocado se engolisse comida sólida e passou a se alimentar só de líquidos. Acabou ficando com 50 quilos. Segundo os médicos, um medo inconsciente de ser gordo. Hoje, aos 19 anos, está se recuperando do transtorno.
“Se eu ficasse gordinho como antes, ficaria feliz, porque depois de vários anos me vendo magro no espelho, nunca mais eu quero ver essa imagem”, diz ele.
“A anorexia nervosa e a bulimia têm cura. São doenças crônicas, de difícil tratamento, mas em 70% dos casos a remissão dos sintomas é total. O tratamento é difícil, custoso, mas vale a pena”, garante a psiquiatra Paula Melin.
(Fonte: redeglobo.globo.com/TVGlobo/Globo Reppórter-2014)


Pessoas que não se aceitam como são
      Segundo uma reportagem feita pela Rede Globo de televisão, muitos jovens estão descontentes com o seu próprio corpo, a reportagem revela que o número de jovens que queriam ter um corpo diferente é surpreendente. Entrevistaram uma psiquiatra que disse que "a insatisfação leva a um padrão alimentar anormal, que traz sofrimentos para o corpo, doenças físicas que afetam diversos sistemas como o cardíaco e o renal".
      Vendo essa pesquisa, percebi que muitos jovens têm um certo medo de não serem aceitos pelo peso que têm, e para emagrecer fazem dietas fora do normal, exercícios físicos excessivos, que muitas vezes causam doenças como anorexia e ou bulimia. Olhando pelo lado dos jovens, entendo o porquê da procura desesperada por emagrecimento, mas também consigo ver o que isso causa. Não penso que seja certo, mas também não acredito ser errado, pois cada um tem que se sentir bem com o seu corpo.
     Os jovens ou as pessoas que fazem esse tipo de tortura contra si mesmos, têm um movimento e esse motivo é se sentir aceito(a), se sentir bem com o seu corpo, ou seja, sua aparência física; e por outro lado, não serem alvos de piadas por terem um corpo acima do considerado normal. 
      Deveríamos repensar sobre nossos conceitos e aceitar as pessoas mais.
Jhenyffer Fagundes - 8ª Série A

Moda na Adolescência
      Sempre vemos em propaganda sobre a moda eventos sobre moda em que as modelos são extremamente magras.
      No texto "Imagem Distorcida", matéria publicada pela Rede Globo, são apresentados vários casos de adolescentes que sofreram por influência da moda. Há relatos de pessoas que se arrependeram. É o caso de Diego Barbosa que agora se recupera da anorexia. Ele disse: "se eu ficasse gordinho como antes, ficaria feliz, porque depois de vários anos me vendo magro no espelho, nunca mais eu quero ver essa imagem".
      Na minha opinião, tudo deve ter o seu limite, é preciso cobrar limite para essa moda que vem destruindo a adolescência de vários jovens. No texto esse sofrimento não é culpa só da moda, e que fique claro, eu não a defendo. Colegas, família, as pessoas em geral não consideram normal uma pessoa mais gordinha, que foi o caso de Vanessa Dellapruta que escutava de sua família que deveria ser magra como a irmã. E juntamente com as piadas na escola, Vanessa parou de comer normalmente, desenvolvendo anorexia e bulimia.
      É incrivelmente ridículo a forma em que a moda impõe que pessoas "normais" são as que possuem corpo magro, pele clara, cabelos lisos e características que a minoria dos jovens possuem, obrigando os outros a mudar seu comportamento.
      A mídia e a moda nos dizem o que usamos, os melhores sapatos, roupas, bolsas e maquiagem para serem considerados normais.
      O relato desses adolescentes, na minha opinião, provam que passou da hora dessa cultura da moda ser limitada e não ser idolatrada como principal arma para ser considerado socialmente normal.
Natália Nascimento Ribeiro - 8ª Série A

A Moda e sua influências
      Esse ano, o Globo Repórter exibiu uma matéria sobre o padrão de beleza e a luta dos jovens para se enquadrar nele. Para conquistar o tão desejado "corpo perfeito", muitos jovens se submetem a atos absurdos e dietas malucas. Esses transtornos alimentares acabam gerando doenças como anorexia e bulimia.
     Na minha opinião, esse padrão de beleza não deveria ser seguido por ninguém, quando vejo pessoas assim, não sinto admiração nem as acho bonitas, sinto apenas pena por elas serem "escravas" da moda.
      O texto exibe depoimentos de diversos jovens que sofrem com essas doenças. "Quando me olhava no espelho, eu achava que estava muito magra, que estava muito feia, mas eu tinha medo de engordar", diz Vanessa Dellapruta de 19 anos.
      Penso que esse padrão de beleza tem que parar de ser seguido, para que os jovens possam viver sem ter que se preocupar com as aparências, e descubram que a verdadeira beleza é a que nós temos por dentro.
Izadora Teixeira - 8ª Série B

Medos, todos têm!
      Na minha opinião, não seria necessário ter medo de engordar, pois sempre tem como resolver esse problema.
      Muitas pessoas se perguntam: por que eu teria medo daquilo? A resposta é simples de falar, fazer acontecer é difícil. Muitas vezes quem tem medo é porque pode ser uma fobia ou um ato passado que marcou a vida de muitas pessoas.
     Medo é medo, e o medo se supera encarando o passado ou enfrentando as fobias. Não precisa ter medo daquilo que não existe ou pode existir. Já parou para pensar o quanto seria melhor a sua vida se não tivesse medo daquilo? Com certeza, seria melhor enfrentar os medos do que ficar com eles a vida toda.
      Todos têm medo de algo, ou por fobia ou por um fato que marcou a vida. Devemos enfrentá-los como seus piores inimigos e transformar o medo em diversão. Devemos respeitar aquele que tem medo e tratá-lo como se você tivesse aquele medo.
Gustavo Alexandre - 8ª Série B

Padrão de Beleza
      A reportagem da Globo relata a obsessão para ter o padrão de beleza, e que isso se agrava com o tempo, e pode até virar uma grave doença, como a bulimia e a anorexia, doenças que precisam de tratamento psicológico e pode levar à morte.
      Na minha opinião, não é tão fácil assim de combater a anorexia e a bulimia, principalmente sem a ajuda da mídia, dos familiares, os amigos, enfim da sociedade. A mídia impõe muito que para você ser bonita, você precisa ter um padrão de beleza, e com isso adolescentes que não estão com a personalidade formada, acreditam que só daquele jeito serão bonitas e aceitas socialmente.
     Com a ajuda de todos, podemos sim mudar essa realidade, com ajuda dos pais, da escola, da mídia não impondo um padrão de beleza e sim fazendo acreditar que todos somos bonitos da nossa forma, tamanho e jeito. Só assim combateremos e ganharemos essa batalha contra a anorexia e a bulimia!
Gabriela Alves de Carvalho - 8ª Série C

A Moda e sua causas
      Nos dias de hoje, o índice de pessoas com preocupações em questão à moda é muito grave. Jovens e adultos procuram por resultados melhores, tanto na estética, quanto na aparência física.
     Atualmente, as pessoas ligam muito para o que as outras pessoas possam dizer sobre elas (aparência física). Por conta disso, as pessoas começam a se valorizar por fora e vão esquecendo da saúde que é o mais importante.
     Há vários casos de pessoas adoecendo por conta da moda. Isso é comum para a sociedade em que vivemos.
      Minha opinião sobre isso é a falta de amor a sim mesmo, mostrar um visual bonito, sendo que por dentro está frágil e sofrendo.
Samuel Barreto - 8ª Série C




sábado, 12 de abril de 2014

Narrativas


Narrativa é um gênero literário que consiste na sucessão de fatos que giram em torno de um ou mais conflitos. A existência dos conflitos é importante, pois são eles que chamam a atenção do público leitor. A narrativa pode ser ficcional quando é fruto da imaginação de um autor e pode ser não ficcional quando narra fatos reais. Abaixo, temos um exemplo de narrativa não ficcional escrita pelo aluno Tiago Ferreira da Silva.

     Alguns dias atrás, fui ao Conjunto Nacional comprar roupas junto com minha prima Denise. Fomos à loja Riachuelo e compramos três calças e três camisas. Ela pagou tudo, foi um presente. A compra deu R$ 350,00 e deu direito a três cupons para concorrer a um carro. Ele era um Gol preto, quatro portas e muito bonito. Foi um passeio bem legal, ainda fomos lanchar na lanchonete "MacDonald's" e comi sanduíche e batata frita. Nesse dia também ela me deu três tênis, um para ir à academia de cor preta e dois para ir à escola.
Tiago Ferreira Silva - 8º ano D

A narrativa ficcional é muito útil no jornalismo, pois pode informar ao público diversos acontecimentos. Já a narrativa ficcional interessa muito aos estudiosos da literatura na qualidade de arte da palavra, pois faz o público leitor pensar a realidade a partir de um fato irreal. Em outras palavras, uma mentira que traz à tona uma verdade.

Nesse sentido, os alunos do 8º ano do Ced 01 do Guará foram desafiados a dar continuidade à introdução da crônica de João Anzanell Carrascoza. Eles tinham que imaginar o cenário, as ações dos personagens, descrevendo o ambiente e pensando em um desfecho diferente do original. Vejam primeiro a crônica dos meninos e logo após a crônica original.


Ilustração: Daisy Sartori

Um lição inesperada

      "No último dia de férias, Lilico nem dormiu direito. Não via a hora de voltar à escola e rever os amigos. Acordou feliz da vida, tomou o café da manhã às pressas, pegou sua mochila e foi ao encontro deles. Abraços à entrada da escola, mostrou o relógio que ganhara de natal, contou sobre sua viagem ao litoral. Depois ouviu as histórias dos amigos e divertiu-se com eles. Aos poucos, foi matando a saudade das descobertas que fazia ali, das meninas ruidosas, do azul e branco dos uniformes, daquele burburinho à beira do portão. Sentia-se como um peixe de volta ao mar. Mas, quando o sino anunciou o início das aulas, Lilico descobriu que caíra numa classe onde não havia nenhum de seus amigos."

(...)

     Era como um território inimigo, uma atmosfera diferente. Mesmo sendo uma típica sala de aula com valentões e meninas fofocando, Lilico sentia falta da sua turma, do "clima".
     Sentou-se ao lado de uma garota aparentemente estranha. Ela usava uma fita roxa no cabelo e tinha uma mancha de suco de laranja no casaco. Lhe parecia muito solitária, pois passou a aula inteira conhecendo Lilico, se bem que passou a maior parte do tempo contando o porquê dos tubarões serem as criaturas mais incríveis do mundo.
     Passaram-se três horários e fora chamada a atenção de Alice e Lilico, pelo menos, umas quatro vezes. Era como se já se conhecessem há anos, o assunto não acabava. Fizeram dupla no debate de Geografia e arrasaram.]
     Lilico se sentia tão bem por ter encontrado alguém assim, era aparente. Tinha percebido que estar em um ambiente novo não era o fim do mundo, uma hora isso iria acontecer. Ela também passara por isso.
     Nem se deram conta do quanto o tempo passou rápido. Quando viram, o sinal já tinha tocado e estavam ansiosos para o dia de amanhã.
Bruna Bernardes - 8º ano D

     Quando entrou na sala de aula, percebeu o quão desesperado e e desapontado estava pela falta da presença dos seus amigos, mas se sentou na mesa da primeira fileira de cadeiras da sala. Lilico ficou espantado com os outros alunos, comentando sobre a sua presença ali, faziam vários burburinhos desagradáveis sobre ele, mas ele revelou e acabou dando de ombros sobre aquela provocação. O professor era de inglês e Lilico odiava essa matéria, ele ficou bem incomodado com o dia que nada estava dando realmente certo. Até agora aquilo podia ser o pior primeiro dia de aula.
     Ao passar dos minutos, tocou o sinal para o intervalo e Lilico foi ao encontro de seus amigos, ele se sentiu mais aliviado. Contudo ao terminar do intervalo, ao passar das aulas de Matemática e Educação Física, ele conseguiu se ajustar ao ambiente totalmente novo, que a tão pouco tempo o fazia sentir hostilizado.
     Enfim, o dia de Lilico estava acabando e ele se sentiu um pouco confuso com tamanha confusão de sentimentos que havia passado a tão pouco tempo em poucas horas. Ele saiu pelo portão central do colégio e foi ao encontro dos seus pais.
Eduarda Gomes Xavier - 8º ano D

     Nessa classe tinha variados tipos de alunos, uma menina era indiana, outro menino era magrinho e bem alto, já outro era asiático, tinha um bem gordinho e baixo. Então Lilico logo fez seus pré-conceitos dos tais e foi descrevendo:
     - Aquela ali é mesquinha, mandona, fresca e patricinha, o magricelo é bobão e bagunceiro, o asiático se acha o bonitão e não tem dificuldade em nada, e o gordinho é irritante e mal-humorado. Não tenho a mínima vontade de conhecer nenhum desses.
     Logo depois, a professora manda que Lilico, Dayan, Zayn, Rayn e Hérculles se sentem juntos para fazer uma atividade em grupo. Dayana era a indiana, Zayn era o magricelo, Rayn o asiático e Hérculos o gordinho. Eles fizeram o trabalho dado pela professora e enquanto isso, conversaram para se conhecerem melhor.
     Após muita conversa, Lilico descobriu que Dayana era muito simpática e gentil, Zayn era inteligente e organizado, Rayn era um ótimo aluno, mas tinha dificuldade com as exatas e Hércules era divertido e muito engraçado.
     Depois disso, Lilico repensou seus pré-conceitos e afirmou que:
     - Nem tudo é o que parece ser!
Giovanna Aguiar Duarte - 8º ano C

UMA LIÇÃO INESPERADA

No último dia de férias, Lilico nem dormiu direito. Não via a hora de voltar à escola e rever os amigos. Acordou feliz da vida tomou o café da manhã às pressas, pegou sua mochila e foi ao encontro deles. Abraçou-os à entrada da escola, mostrou o relógio que ganhara no Natal, contou sua viagem ao litoral. Depois ouviu as histórias dos amigos e divertiu-se com eles, o coração latejando de alegria.
Aos poucos foi matando a saudade das descobertas que fazia ali, das meninas ruidosas, do azul e branco dos uniformes, daquele burburinho à beira do portão. Sentia-se como um peixe de volta ao mar. Mas, quando o sino anunciou o início das aulas, Lilico descobriu que caíra numa classe onde não havia nenhum de seus amigos.
Encontrou lá só gente estranha, que o observava dos pés à cabeça, em silêncio. Viu-se perdido, e o sorriso que iluminava o seu rosto se apagou. Antes de começar, a professora pediu a cada aluno que se apresentasse. Aborrecido, Lilico estudava seus novos companheiros.
Tinha um japonês de cabelos espetados com jeito de nerd. Uma garota de olhos azuis, vinda do Sul, pareceu-lhe fria e arrogante. Um menino alto, que quase bateu no teto quando se ergueu, tinha toda a pinta de ser um bobo. E a menina que morava no sítio? A coitada comia palavras, olhava-os assustado, igual um bicho-do-mato. O mulato, filho de pescador, falava arrastado, estalando a língua, com sotaque de malandro. E havia uns garotos com tatuagens, umas meninas usando óculos de lentes grossas, todos esquisitos aos olhos de Lilico. A professora? Tão diferente das que ele conhecera...
Logo que soou o sinal para o recreio, Lilico saiu a mil por hora, à procura de seus antigos colegas. Surpreendeu-se ao vê-los em roda, animados, junto aos estudantes que haviam conhecido horas antes. De volta à sala de aula, a professora passou uma tarefa em grupo. Lilico caiu com o japonês, a menina gaúcha, o mulato e o grandalhão. Começaram a conversar cheios de cautela, mas paulatinamente foram se soltando, a ponto de, ao fim do exercício, parecia que se conheciam a anos.
Lilico descobriu que o japonês não era nerd não: era ótimo em matemática, mas tinha dificuldade em português. A gaúcha, que lhe parecia metida, era gentil e o mirava ternamente com seus lindos olhos azuis. O mulato era um caiçara responsável, ajudava o pai desde criança e prometeu ensinar a todos os segredos de uma boa pescaria. O grandalhão não tinha nada de bobo. Raciocinava rapidamente e, com aquele tamanho, seria legal jogar basquete no time dele. Lilico descobriu inclusive que o haviam achado mal-humorado quando ele se apresentara, mas já não pensavam assim. Então, mirou a menina do sítio e pensou no quanto seria bom conhecê-la. Devia saber tudo de passarinhos. Sim, justamente porque eram diferentes, havia encanto nas pessoas.
Se ele descobrira aquilo no primeiro dia de aula, quantas descobertas não haveria de fazer no ano inteiro? E, como um lápis deslizando numa folha de papel, um sorriso se desenhou novamente no rosto de Lilico.

  Conto de João Anzanello Carrascoza,

Histórias para sonhar acordado, Scipione.

sábado, 5 de abril de 2014

Charges



     Charge é um tipo de história em quadrinho, geralmente formada de um só quadro, que traz a opinião do autor a respeito de um assunto. Caracteriza-se por ser ao mesmo tempo, humorística e crítica, e muitos a consideram um texto argumentativo, pois apresenta a opinião do chargista e, muitas vezes, ironiza e satiriza as opiniões oponentes.
     Pode retratar os mais diferentes assuntos e geralmente está relacionada com algum acontecimento atual, com um ou mais personagens. É publicada principalmente em jornais e revistas e a linguagem utilizada é mista, pois se utiliza de imagens e palavras. Hoje a internet propicia as charges animadas, muito apreciadas. A seguir veja alguns exemplos produzidos pelos alunos dos 8º Anos C e D e uma profissional:




Jeniffer Kalita e Daniel Amorim - 8º C


Gabriel Vítor Vieira e Kathleen Letícia - 8º ano C


Bruna Bernarde e Talita Alencar - 8º ano D

MÉDICOS, PRESENTES SEMPRE!!!
Rhaquel Alves da Silva e Eduarda Gomes Xavier - 8º ano D