Mensagem Poética

"Sê bom. Mas ao coração prudência e cautela ajunta. Quem todo de mel se unta, os ursos o lamberão" Mário Quintana



Olá! Meu nome é Andréia. O objetivo desse blog é publicar as redações dos meus alunos, bem como ser um espaço de interação e construção do conhecimento acerca da literatura e do mundo da escrita.

E-mail: amoportugueseespanhol@gmail.com

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Poesia Simbolista




         O Simbolismo foi um movimento que surgiu na França no final do século XIX para se contrapor ao Parnasianismo e aos outros movimentos que pregavam o materialismo. Seu precursor foi Charles Baudelaire com a publicação de "Flores do Mal", livro de poesias que expressava a incerteza e o pessimismo diante do novo século. Os decadentistas, como eram conhecidos, buscavam a perfeição da poesia fora desse mundo material, inspiravam-se em um mundo espiritual que transcendesse à realidade física, indo ao encontro de uma explicação sobrenatural para a vida. Por essa razão, essa poesia resultou em um conteúdo sensorial, musical e melancólico de um eterno questionamento ao desconhecido que perpassa a vida após a morte. Influenciada e motivada pelas aulas de Simbolismo, a aluna Ana Paula Rezendo do 2º ano escreveu uma poesia que dialoga com as poesias simbolistas. Com essa publicação, pretendo não somente prestigiar a boa iniciativa como incentivá-la a realizar o seu grande sonho: formar-se em Letras e tornar-se uma grande escritora reconhecida, porque grande escritora ela já é. Parabéns! Meu orgulho. Beijos....



A dor que me mata

Ah! Cidades pobres de pessoas
Pessoas pobres de alma
Tento compreender o mundo
E o mundo me leva à calma.

Sentimento de culpa, ó culpa!
Porém ninguém viu, ninguém viu.
Só o que me resta são lágrimas, 
Que me tranformaram nesse vazio.

Céu escuro em lágrimas
Tento não me difamar na fé.
Derruba a dor que me mata
Destrói a dor que me quer.

Onde estás tu, alegria?
Saiu e não voltou para me ver
Destruir a dor que me mata
Derrubar a dor que me quer.


Ana Paula Rezende - 2º C

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

II Concurso Jovem Escritor do DF

          O CED 01 do Guará II no Distrito Federal é uma escola que se preocupa com a formação de valores, mas também com a formação acadêmica de seus alunos, por isso fazemos questão de participar dos eventos que valorizam e incentivam os alunos a continuar cultivando seus talentos. Nossa intenção é ajudar para que eles cresçam felizes e se tornem adultos éticos, participativos e bem sucedidos. Portanto, vai aqui a minha homenagem e agradecimento à aluna Beatriz Paula que entendeu o sentido de nossa filosofia, soube aproveitá-la e representou muito bem a escola que tem os melhores alunos do mundo e juntamente com outros alunos brilhantes da Secretaria de Educação do DF ganhou o prêmio de jovem escritora. Parabéns, Beatriz! Que você tenha um futuro promissor! Parabéns, CED 01! E nessa véspera do Dia do Professor, Parabéns a todos os professores da Secretaria de Educação do Distrito Federal, que mesmo sem muita valorização por parte dos governos, continuam acreditando nos talentos de seus alunos e na responsabilidade que carregamos em nossas bagagens!

Gênero: Dissertação



Tema: Culturas e Mudanças Sociais
Todo país carrega uma história, seus aspectos são formados com o passar dos anos e transcritos a cada geração. Sua cultura é expressa de diversas maneiras em cada região e, no caso do Brasil, que apresenta características de miscigenação, é imprescindível discutir a aceitação de todos e que haja respeito mútuo entre seus cidadãos.
A cultura pode mudar a realidade social de um determinado lugar. Ela tem o poder de unir pessoas através de suas interações e socializações, permite a descontração por meio de danças, músicas e artes no geral, dá a todos uma livre expressividade e incentiva a muitas experiências.
Apesar de alguns serem melhor remunerados que outros e ainda exista muita desigualdade, cada um apresenta uma função na estrutura da sociedade, carregando em si os mesmos direitos e valores. Os padrões culturais inseridos em meio às relações humanas enfatizam as formas que um estilo de vida pode ser afetado e muitas pessoas ainda são vítimas da descriminação.
Diante do exposto, nota-se que a cultura é extremamente eficaz no processo de mudança social. É importante que as pessoas invistam naqueles que estão excluídos da sociedade, buscando meios de ajudá-los, não dando esmolas, mas oferecendo oportunidades. O país só muda quando as pessoas mudam, e só vai para frente quando todos sonham juntos independentes de raça, status social ou religião.

Beatriz Paula Vieira - 3º A - 2016

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Sarau Romântico - 2º ano do Ensino Médio

     "Só o amor é capaz de nos fazer viajar para dentro de nós mesmos e nos fazer descobrir o humano que há em nós"  Andréia Moreira da Silva


  Após trabalhar durante um semestre o Romantismo na Europa e no Brasil, finalmente o nosso trabalho foi concluído com a promoção do Sarau Romântico. Cada turma foi responsável em promover o seu próprio sarau. A turma foi avaliada da seguinte forma:  avaliação geral em que deviam ser atendidos os seguintes critérios: figurino, ambientação/ornamentação, comida, organização e estética. Essa parte avaliativa teve como objetivo unir e integrar a turma. A segunda avaliação referiu-se ao trabalho em grupo com as temáticas, das quais foram exigidos os seguintes critérios: apresentação artística, criatividade, expressão, conteúdo, originalidade e organização. Tal avaliação teve como objetivo revisar o conteúdo do semestre de forma lúdica e divertida. Os temas foram: Poesia e Música do século XIX, A Mulher no Romantismo, Castro Alves e a causa abolicionista, A Arte Gótica e o Ultrarromantismo, A Poesia Nacionalista, A Prosa Romântica. O resultado do trabalho valeu a pena, conseguimos alcançar todos os objetivos, bem como compreender a importância do Romantismo para a formação da identidade brasileira e ainda fizemos uma confraternização do semestre para celebrar o trabalho realizado. Confiram algumas fotos e textos!
Poema Byronista

Era uma vez um concerto em um cemitério
Onde homens apresentavam seus grandes critérios
Espetáculo sombrio com o barulho do rio
A legião de mortos criava o império.

Vinho na mão, esperança no peito
Muitos morriam por não ter mais jeito
Um deles era Renato, pobre enganado
Vivia em seu mundo pobre e isolado

Conheceu então uma bela menina
E sempre com ela um laço de fita
Mudou seus planos para com ela ficar
O seu sonho era com ela casar

Romance à tona, paixão platônica
Pensava ele até então
Porém não sabia o que ela sentia
Tocava a alma e ia além do coração.

Os dois se amavam, mas a moça era de respeito
E não tinha jeito de com ela ficar
Fugiram de casa e deixaram tudo para trás
Tudo o que queriam, era se amar em paz.

A família entra à tona e separa os dois
Porém eles se encontravam depois
Ela deixou com ele a fita de recordação
E disse a ele que faria tudo por aquela paixão.

A família vem e a surpreende
Dizendo à moça que ele não estava presente
Morreu de tuberculose de tanto tossir
No sereno da noite, não estava mais ali.

Porém era mentira e ela não sabia
Em seu rosto não se via mais o traço da alegria
Resolveu morrer então, matar-se de amor
Não aguentava mais tanta dor

Pegou uma faca e antes de cravar no peito
Disse que se não poderia amá-lo nesse mundo imperfeito
O amaria em qualquer dimensão
Mas haveria de existir uma outra opção

Então ele chega desesperado
Ao vê-la sangrando ajoelha ao seu lado
Pega a fita e tenta o sangue estancar
Porém percebeu que não podia a ferida curar

Do seu lado se deitou
Com lágrimas de amor, exclamou:
- Só me resta sua fita que guardo no peito
Para unir nosso sangue e esconder nosso despeito

E dessa história só resta o laço de fita
Que cor nenhuma tinha
E se foi colorindo com a cor do amor
Unindo o sangue do casal sonhador.

Maria Eduarda - 2º B






















Tatuagem

O índio é um cara inteligente
Nunca picha o corpo com tinta permanente
Cada dia, um desenho diferente
Mostra o seu senso coerente
para não se arrepender eternamente.

Marcos Marques

A mata desmata
Nosso povo humilhado
Nossa terra roubada
Nosso povo escravizado....

Somos uma sociedade milenar
Temos muito a ensinar...

Paulo Odair Silva



segunda-feira, 30 de maio de 2016

Oficina de Poesias - Surrealismo

Porque precisamos renascer de nossa própria Essência....



O movimento surgiu no período entre a I Guerra Mundial e a II Guerra e preocupou-se com o mundo interior do ser humano que habita a área mais misteriosa do inconsciente. Arte influenciada pelos estudos de Freud, essa vanguarda valoriza as verdades oníricas. Para Freud, “o sonho é a realização disfarçada de um desejo reprimido”, sonhamos em forma de símbolos, porque até em sonhos somos reprimidos pelas leis da sociedade. Dessa forma, um sonho julgado sem sentido, pode revelar uma verdade interior guardada no fundo do inconsciente humano.

O Surrealismo é um ilogismo aparente  na medida em  que pretende revelar o que há de mais profundo no nosso inconsciente. Nessa oficina, os alunos foram motivados a pensar em seus sonhos e desejos futuros, muitas vezes reprimidos pela nossa sociedade preconceituosa e elitista.


Faróis e espelhos

Minha alma sempre sonhadora

Alçara voos altos
Minha mente que produzira luz um dia
Como farol na noite tempestuosa
Foi sendo aos poucos dilacerada
e aos poucos trocada...
trocada por espelhos.
Minha luz perdida no caminho da vida
Agora era somente um espelho
sem personalidade, sem alma...
somente refletindo o que lhe é imposto.

Greicy Kelly e Matheus Thierry  - 3ºA


Amor


Hoje cedo quando eu

acordei e não te vi, 
eu pensei em tanta coisa.
Como era isso, um
sonho perdido,
desejos reprimidos
como eu queria você aqui comigo!

Os seus olhos verdes

me olhando, sem coragem
fico pensando 
em dizer o quanto eu te amo.
Sinto um frio na barriga,
uma alegria ao te ver.
Mas tenho medo 
do meu amor não ser 
correspondido,
pois você, 
minha bela e
pequena Jéssica, 
saiba que
Eu te amo!

Sabrina Taraweell, Ana Caroline Nunes, Gabriel Henrique e Izabelle Karine - 3º B


Eu me perdia nos teus olhos escuros....

Desde que meu corpo encontrou o teu,
perdi a noção de onde acabava a ponta dos meus dedos
e onde começava a tua pele.
A respiração cada vez mais ofegante,
sentia como se tudo fosse aquilo
e sem aquele momento, não existia nada.
Tua pele clara e teu cabelo liso
me faziam esquecer que havia um mundo...
Meu âmago guardava um sentimento forte e proibido.
Então, no ponto mais caloroso de nosso toque, eu acordei...
e todo um mundo de desejos e felicidade morreu em mim
como um sonho que veio e com a mesma graciosidade se foi...

Gabriel Tornich - 3º C


Desespero Fictício


Eu corro, corro contra o tempo,

Corro contra o vento,
Corro pela vida
Para achar uma saída
Meus demônios vêm atrás de mim
Querem que eu chegue no meu fim.

Como fui parar ali?

Como vou sair daqui?
Não sei como cheguei aqui.
O fim da linha está chegando,
O desespero se aproximando.
Avisto um penhasco
Me sinto um carrasco
Terei que pular
Ou irão me atacar.
Precipícios abaixo
Me vejo desesperado.

De repente eu acordo

Num pulo, num salto
Não estou mais lá no alto.
Foi algo medonho
É estranho morrer no meio de um sonho.

Carlla, Gabriel, Taynara - 3º D


Casos não Resolvidos


Corre! Corre! Corre!

A respiração ofegante,
o suor gelado me
compõe.

Grande vazio escuro

O barulho das águas do mar,
me perturba.

O desespero e o medo

me invadem,
não sei do que fujo
nem do que tenho medo.

Um barulho alto

me chama de longe,
uma voz distante grita
meu nome.

Procuro! e abro os olhos,

e sorriu mais uma vez,

Sonhos são casos

não resolvidos entre eu,
e minha alma misteriosa.

Fernanda Rose, Gustavo, Andressa e Geovanna - 3º D







sábado, 28 de maio de 2016

Oficina de Poesias - Dadaísmo

A Arte que debocha da própria Arte ou a Arte da Irreverência......


       O Dadaísmo foi um movimento de vanguarda que  surgiu em 1916 durante a primeira guerra mundial, quando um grupo de refugiados se reuniu em Zurique para lançá-lo. Tendo a anarquia como princípio, tratou de negar o passado, o presente e o futuro e representou a total falta de perspectiva diante da realidade.  O Dadaísmo foi contra tudo que era lógico, importando-se com a sonoridade da palavra, mesmo que sem significado; ao mesmo tempo, esse nada devia representar um grito contra o capitalismo burguês e a guerra. O movimento dadaísta, enfim, é a arte que destrói a própria arte, um movimento de total irreverência. 
      Em seguida, algumas poesias feitas pelos alunos do 3º ano do Ced 01 dão uma ideia da vanguarda.


Pego um ônibus
Pela viagem vejo a paisagem,
olhando imagens deformadas
grandes e monstruosas.
Entrando no museu,
vemos o passado maravilhoso
mas também quadros rebuscados
que são chamados de arte
tem rabisco em todo lugar, muro...
tudo isso  é  do passado
 e abre portas para o futuro.

Giuliano e Lucas Crisley - 3º A

O silêncio

O silêncio dos inocentes que gritam sem nada dizer
Dizem tudo, só não dá para entender.
Entende quem quer, entende quem vê.
Quem finge que não vê, não consegue entender
Os inocentes que tudo dizem sem nada dizer....

Gracilene de Sousa - 3º B

Tudo passa, às vezes não passa
cabe a cada 1 decidir o que sentir
o que fazer e escolher
de maneira que sempre tenha
uma vida linda.
Saber viver com os degraus da vida.

Adriane, George, José Afonso, Regianeide - 3º C


Em casa sentada sem nada para fazer
Várias latas de tintas jogadas no chão
Uma parede em branco
Decidi então:
Joguei as tintas todas na parede.
Pronto: Uma arte de um milhão.

Hemerson M, Victor Martins, Vanderson, Jefferson M. - 3º D

Em linhas ____________

Em versos
Vou me expressando
Da forma mais bela
Mas em versos, preso me sinto, prefiro a liberdade das linhas do caderno..........
.................Prefiro ser ao menos um escritor livre!

Letícia de Freitas, João Victor Freitas, Daniel Menezes e Karla Raquel - 3º D







quinta-feira, 26 de maio de 2016

Crônicas e Contos para o Ensino Médio - Professora Marly




       A Crônica foi o gênero estudado no 1º bimestre de 2016. Exatamente por ter o cotidiano como principal fonte temática, revela aspectos da sociedade na qual se insere a situação narrada e nos faz refletir acerca do comportamento social  humano. A partir de uma notícia de jornal em que a modelo Kate Mass joga o computador do namorado na piscina, os alunos do 2º ano do Ced 01 foram motivados a escrever uma crônica, tendo como "pano de fundo" conflitos em relacionamentos amorosos. Já os alunos do 3º ano, após a leitura do conto psicológico "O gato preto" de Edgar Alan Poe, tiveram que reescrevê-lo a partir de uma outra perspectiva que poderia ser a do vizinho, a do gato ou a da esposa. Em seguida, temos alguns exemplos escritos por eles:

Confusão em alto mar - Crônica

        Essa semana fui selecionada para trabalhar em um cruzeiro que saiu do Rio de Janeiro, partindo para Salvador e depois destinando para outros lugares. Eu estava empolgada, pois era a primeira vez que eu ia exercer o meu trabalho em um navio. Acordei mais cedo que o normal e deixei meus filhos na Dona Maria, minha comadre, e passei logo as instruções para Pedro e Júlia, dei um beijo na testa deles, deixei um papel com o meu número. Como os funcionários não podiam se atrasar, me apressei e fui.
          Cheguei no horário. vesti meu uniforme, e fiquei esperando a ordem do chefe para começar os trabalhos. Os passageiros foram chegando e ocupando seus quartos, e logo cada um foi fazer o que gosta, alguns foram pra piscina, outros foram procurar a sala de cinema, e eu comecei a passar pelos quartos limpando. Quando entrei no quarto 401, vi que tinha um casal deitado e percebi que eles não haviam apertado o botão autorizando a limpeza, então me retirei antes que eles percebessem a minha presença. 
          Ao anoitecer, teria um baile e eu ia ter que ficar acordada até mais tarde. Estava tudo lindo. Vários já estavam servidos e satisfeitos, então aproveitei que estava tudo certo e fui até a área externa do salão, onde estavam vários hóspedes, inclusive o casal do 401. O rapaz estava sentado em uma espreguiçadeira e a moça ao lado tomando um drink. Percebi que havia lixo perto deles, logo fui recolher, e nesse pouco tempo pude notá-los entrando em uma discussão. Ela levantou jogando a taça no chão e ele levantou em seguida e segurou os braços dela e pediu que ela se acalmasse. Ela o empurrou e arremessou o computador dele na piscina e saiu furiosa. Eu fiquei assustada e fui perguntar pra ela se estava tudo bem, ela não me deu ouvidos, me ignorou e foi seguindo para o seu quarto. Ele viu tudo e me pediu desculpas, e me revelou que eles estavam em lua de mel. Ela teve crises de ciúmes porque viu mensagens da ex-namorada dele, que por acaso também estava no navio. Quando ela a viu disse que queria sair do navio. Eu disse que sentia muito. Em seguida ele pegou seu computador na água e foi para o quarto, eu catei restos de vidro no chão, coloquei no saco e fui para o salão novamente. A noite pra mim acabou maravilhosa, mas já não digo o mesmo para eles.

Emily Fontes - 2º B



De Namorados a desconhecidos - Crônica


      Essa era a semana do Capital Fashion Week e claro, o mundo da moda, tanto para os lindos modelos que desfilam, quanto para estilistas, diretores de redação e inclusive eu, que sou jornalista e repórter e fui escolhida entre tantos outros bons jornalistas da revista em que trabalho para cobrir o evento

      Na sexta-feira, cheguei para trabalhar e encontrei um bilhete do meu chefe que dizia: "Patrícia, assim que ler esse bilhete, vá até minha sala (assunto importante). Abraço, Sr. Moarcyr!". Amassei o papel, sentei e tomei um gole do café que estava em minha mesa, respirei fundo e levantei. No caminho da sala do chefe, me deparo com o João me perguntando se minhas coisas estavam prontas e logo depois deu um sorriso sarcástico. Juro que fiquei assustada, tremi, pensei em voltar para minha cadeira, mas mesmo  com medo e nervosa, fui.
      Dei três batidas na porta e entrei, sentei na cadeira em frente a sua enorme mesa de vidro, ele logo falou o assunto que eu tanto temia:
      - Patrícia, que bom que veio logo, vou ser direto.
      Olhei assustado para ele e respondi: 
      - Eu espero que seja mesmo, estou nervosa (com um sorriso de canto na boca)
      - Não fique nervosa, menina, bom, andei observando você todos esses dias e reparei que você está fazendo o seu serviço muito bem e que anda publicando uma matéria muito satisfatória, resolvi escolher você para cobrir o evento em Santa Catarina.
     Ele me entregou a passagem e um papel com o endereço do hotel que eu iria ficar e um envelope com dinheiro. Depois de me entregar tudo, ele disse:
      - Agora é só arrumar as malas e boa sorte. Ah! e o dinheiro é apenas para gastar com você, o resto está pago, inclusive o táxi.
      Apertei a mão dele, agradeci e saí da sala dele com um sorriso de orelha a orelha. Peguei minha bolsa e fui para casa arrumar as minhas malas. Com tudo pronto, peguei o táxi e fui para o aeroporto. No avião, comecei a ler tudo sobre o evento, os modelos que iam desfilar, os estilistas que iam estar presentes, até que peguei no sono. Quando acordei já estava em Santa Catarina.
      Peguei o táxi e ele me deixou no endereço que estava no papel, peguei as malas e fui até a recepção, dei minha identidade à moça. Quando olhei para o lado, mulheres altas, lindas, todas com salto e com roupas bem chamativas. Fiquei olhando e quando pensei em tirar a máquina fotográfica da bolsa, a mulher da recepção me chamou pelo nome, me entregou a minha identidade e disse:
      - Sra. Patrícia, o seu apartamento é o 1806 e fica no décimo oitavo andar. Os elevadores estão a sua direita e as escadas logo ao lado.
      Então, morrendo de curiosidade, resolvi perguntar:
      - Essas garotas são modelos?
      Ela me respondeu, educadamente:
      - Sim, Sra. Patrícia, são modelos do Capital Fashion Week e estão hospedadas no 1808 ao lado do seu apartamento.
      Vi a gerente olhar para ela e chamar a moça pelo nome, logo vi as duas discutirem sobre a ética do hotel e saí logo, antes que elas descobrissem que eu era jornalista.
      Subi até meu quarto, desfiz as malas  e estava pronta para o trabalho. Resolvi descer até a piscina, deitei em uma das espriguiçadeiras e estava lendo um livro, quando chega uma daquelas maravilhosas modelos com o namorado, e ele, assim como eu, deita com netbook no colo, ela resolve mergulhar. Depois de algumas braçadas, ela sai da piscina, se seca e deita em uma espreguiçadeira ao lado. Eles começam a conversar, e eu, fotografo cada gesto dos dois. Eles, então, começam a discutir, ela gesticulando muito, levanta e joga o netbook dele na piscina, ele questiona:
      - "Você está aqui para trabalhar assim como eu, não justifica você fazer isso". 
      Ela pega as coisas e sai, ele mergulha e tenta salvar o que restou. Eu, continuo a fotografar. Então, resolvo subir para me arrumar, até então, naquele evento, nada me interessou tanto quanto aquela discussão, foram fotos e mais fotos. O evento foi lindo, mas tinha me decidido: iria postar a matéria do netbook.
      Cheguei, então, em São Paulo e fui trabalhar para publicar a matéria. Bom, eu publiquei a matéria, fui promovida e desde aquele episódio minha vida só melhorou. Já eles....eles devem estar nas estatísticas de casais separados no Brasil.


Lorrany de Sousa - 2º B



O Gato Preto - Perspectiva do gato- Conto

          Eu tinha uma boa relação com meu dono. Ele estava sempre me acariciando e me tratava muito bem. Em um certo dia, ele começou a ficar estranho. Maldita bebida! Começou a surgir ódio no lugar do amor, e todos os seus animais sofriam, até eu. Não deu para entender como um cara tão amável, se transformara naquilo. Não demoraria muito para que algo acontecesse. Ele chegou em casa embriagado, eu não queria a presença dele, mas não pude impedir que ele me pegasse, foi aí que lhe mordi. Neste momento, senti uma fúria vinda dele. Quando vi o canivete, pensei -Agora é o meu fim-. Mas ele arrancou um dos meus olhos. Saí correndo de perto dele, com muita dor e um pouco zonzo. Eu ia me recuperando aos poucos, e sempre me afastava quando ele chegava. Minha aparência ficou horrível.
          Eu percebendo que a perversidade e raiva dele só aumentavam, fui me afastando. Porém, ele me pegou, amarrou uma corda em meu pescoço e pendurou-me numa árvore. Pude ver lágrimas em seus olhos, mas não sabia se eram de alegria ou de arrependimento. De uma coisa eu tinha certeza, isso não iria ficar barato.
          Ele não sabia que eu não era um gato comum, que eu poderia fazer muito, mesmo não estando vivo. Já era noite, quando comecei um incêndio em sua casa. Foi ótimo ver a cara de surpresa dele, quando na única parede que estava em pé, mostrava explicitamente a sombra de um gato sendo enforcado. Sim, era a minha sombra!
          Passaram-se meses, percebi que ele queria outro bichano. Foi então que vi minha chance de vingança. Entrei no corpo de outro gato, preto também, mas com uma mancha branca. Ele me viu na rua e começou a acariciar-me, o segui até sua casa. O corpo que agora era meu, também não tinha um dos olhos. Percebi que a esposa dele se apegou muito a mim, ela era uma ótima pessoa.
          Era noite, ele e a esposa estavam descendo as escadas para irem ao porão, foi quando ele tropeçou em mim. Como já era de se esperar, a raiva tomou conta dele, que rapidamente pegou um machado e tentou me acertar, porém desviei. O machado acertou a mulher, a pessoa que eu mais gostava naquele momento. Ela caiu no chão sem dar nenhum grito.
          Naquele momento, eu me escondi. Pude ver o desespero em seu rosto. Queria se livrar do corpo de algum modo. Foi quando ele viu uma parede em que os tijolos eram facilmente removidos. Abriu, então, um buraco na parede do porão, enquanto ele pegava o corpo, aproveitei para entrar e me esconder no buraco. Ele colocou o corpo da esposa lá dentro, fechou a parede e limpou tudo direitinho. Sentiu minha falta, mas não se preocupou muito.
          Passaram-se alguns dias, eu com fome e sede, escutei sons de sirene. Com certeza era a polícia. Fizeram perícia em toda a casa antes de virem para o porão. Meu dono parecia confiante que iria se safar dessa. Foi quando escutei algumas batidas na parede, dei um gemido seguido de um miado. Não demorou muito para que abrissem a parede. O corpo da mulher caiu no chão. Estava um cheiro horrível. Eu fiquei em cima do corpo por algum tempo, observando a aflição de meu dono, que não acreditava no que via. Pisquei para ele, e saí do local.


Eduardo Serra Rodrigues - 3º D