Memórias literárias fazem parte de um gênero narrativo cujo objetivo do texto é rememorar fatos da vida do autor. Apesar de contar fatos verídicos ou ser baseado em fatos reais, não pode ser confundido com uma biografia, pois não se resume em contar a vida de alguém, mas narrar as suas lembranças. É escrito, claro, em primeira pessoa e o narrador personagem lembra dos fatos de uma forma afetiva e figurada.
O desafio lançado para os alunos do 8º ano C do Ced 01 do Guará foi narrar fatos importantes de sua infância.
O resultado foi maravilhoso, todos os textos procuraram narrar fatos importantes e marcantes da infância. Gostaria de ter digitado todos eles, mas o tempo limitado não permitiu. Assim, escolhi algumas, certa de que não fui totalmente justa. Todavia, vale a pena prestigiar as seguintes redações. Emocionante!!!!
Meu presente para o mundo
Meus pais sempre despertaram em mim a vontade de saber de tudo, de tudo mesmo, sabe?! Desde as coisas mais óbvias até as mais sem nexo e eu sempre ouvia: "tudo o que você precisa está nos livros".
Fui até à biblioteca com meu pai e um livro de capa azul roubou minha atenção. Levei "Meu presente para o mundo". O livro em si não me interessou muito, mas fiquei intrigada com o título, era como se fosse uma missão na minha vida. Acho que todos devem algo ao mundo. Bom, não ao mundo mesmo, mas sim à sociedade.
Após um tempo procurando alguém que já tivesse dado, cumprido sua "missão", pensei em desistir, não obtive nenhuma resposta que suprisse meu pensamento, sentei na mesa da sala. Meu avô se juntou a mim e perguntou o porquê deu estar cabisbaixa, respondi que estava frustrada por não ser útil até nisso e me surpreendi quando ele me disse: "Você é incrível, neguinha, você pode até não poder plantar árvores ou construir casas no Haiti, mas com certeza irá surpreender o mundo com suas curiosas descobertas".
Bruna Bernardes - 8º ano C
O melhor giro da infância
Há várias emoções quando se rodopia na ponta do pé, variadas sensações quando aplaudida em pé. Aquele tempo era mesmo maravilhoso, corríamos livremente, saltitantes, expressando somente alegria. De manhã cedinho, escutava aqueles cantos lindos dos mais variados pássaros. Apreciando a beleza matinal, seguia para a aula de ballet.
Vestia um maiô cor-de-rosa, uma sainha e sapatilhas nude, me alongava e esperava as ordens da professora querida. Girávamos na pontinha do pé, fazíamos "plié" e "gran-plié", saltávamos delicadamente e dávamos pulinhos graciosos. Alegria, leveza , despreocupação e ballet, era tudo o que me importava.
Todo o tempo dedicado ao sonho de ser bailarina foi desfeito por um breve acidente, que me acompanha juntamente com a tristeza até os dias atuais. Infelizmente nos dias de hoje, cabe a mim relevar esse acontecimento e lidar com a responsabilidade de prosseguir.
Giovana Aguiar Duarte - 8º ano C
Minha história
É bem difícil para eu falar sobre a minha história, porque eu morei na rua por seis anos, e de lá eu fui morar no abrigo.
Conheci muitas outras crianças, aprendi que muitas pessoas têm uma dificuldade, conheci pessoas que sempre cuidaram de mim.
Eu mesma que morei 3 anos no abrigo, sempre me emociono a falar da minha irmã Maria Clara, que faz muitos anos que eu não a vejo, e eu sinto muitas saudades. Todos os meus amigos e eu vivíamos subindo em pés de manga, praticamente sempre estávamos comendo, e era muito divertido.
Fui adotada em 11 de janeiro de 2010 pela minha mãe Maria de Lourdes, já faz quatro anos que eu moro com ela.
Minha família é muito importante para mim, eu os amo muito, tenho dois cachorrinhos. Quando um morreu aos seis anos em 2012 foi um sofrimento, mas ganhamos outro, que nos faz feliz.
Tive muitas aventuras na minha vida, eu estou contando todas elas no livro que eu estou escrevendo, vou querer trabalhar em várias profissões, eu quero seguir a minha vida.
Ingrid de Carvalho - 8º ano C
A minha infância
Quando eu era menor, gostava de brincar mais na rua: jogar bola, soltar pipa, jogar bilocas e etc... porém hoje em dia ainda vou jogar bola e outras coisas como andar de skate. Eu nunca esqueço da minha primeira manobra no skate.. que foi um salto chamado ollie, porém hoje em dia já evoluí bastante, conheci novas pessoas e etc.
Entre muitas coisas da infância, nunca esqueceremos das coisas ruins, lembro quando caí de bicicleta, me ralei todo e além disso quebrei o braço, doeu muito.
Lembro também quando perdi a primeira pipa que eu consegui empinar, fiquei muito triste, pois ela era uma pipa bem colorida com o super-herói que eu gostava, o homem aranha, mas depois fui aprendendo que essas coisas eram normais.
Hoje, estou crescendo e aprendendo que errar é humano, pois hoje estou aqui e lembro muito bem de cada detalhe da minha infância etc.
Daniel Amorim Rabelo - 8º ano C
Minha infância
Infância, todo mundo tem. Minha infância como não posso esquecer, todos os dias saía para brincar de carrinho com os colegas. Infância é uma época mágica. Lembro que todos os dias acordava cedo para assistir aos desenhos. Depois tomava aquele delicioso leite achocolatado com biscoito. Lembro que saía com os meus primos de bicicleta pela rua e só de tarde voltava, não me preocupava com nada.
Minha infância simplesmente foi mágica, não tinha que me preocupar com nada, naquele tempo a vida parecia perfeita, passava as tardes jogando bola ou brincando de carrinho. Tardes perfeitas. Queria voltar no tempo e viver aquilo de novo.
Mas enfim, o tempo passa, a vida anda e percebo que aquilo só foi uma fase. Eu amei a minha infância.
Gabriel Vítor Carvalho - 8º ano C