Mensagem Poética

"Sê bom. Mas ao coração prudência e cautela ajunta. Quem todo de mel se unta, os ursos o lamberão" Mário Quintana



Olá! Meu nome é Andréia. O objetivo desse blog é publicar as redações dos meus alunos, bem como ser um espaço de interação e construção do conhecimento acerca da literatura e do mundo da escrita.

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quinta-feira, 20 de março de 2014

Orientações sobre Artigo de Opinião

Atenção, alunos da 8ª Série!
Visualizem as dicas para a redação bimestral

Orientações para o artigo de opinião:

  • O texto deverá partir do fato-notícia relatado no texto referencial e levantar uma questão polêmica a partir de uma opinião;
  • Deverá informar o leitor da origem dessa questão;
  • O autor do texto deve se posicionar claramente;
  • O autor poderá utilizar a 1ª. Pessoa do discurso, usando expressões que introduzem sua opinião tais como “penso que”, “na minha opinião”...;
  • Levar em consideração os pontos de vista de opositores para construir seus argumentos;
  • Usar expressões que introduzem os argumentos, como “pois”, “porque”;
  • Usar argumentos de autoridade, de exemplificação, de comprovação, de causa e conseqüência, citar fontes que sejam favoráveis a seu ponto de vista;
  • Concluir o texto, reforçando o seu posicionamento ou solucionando algum problema que tenha sido levantado;
  • Verificar pontuação, ortografia, substituir palavras demasiadamente repetidas...Por fim, encontrar um bom título para o artigo. Ele deve ser original, claro e antecipar o assunto a ser discutido. Não esquecer de se identificar no final do texto.

Programa "Abrace um Parque" é lançado em Brasília
Programa para salvar os parques da capital é lançado nesta quarta-feira

João Campos - Correio Braziliense
Publicação: 28/05/2008 08:31 Atualização: 28/05/2008 08:33

     O Instituto Brasília Ambiental lança nesta quarta-feira (28/05) o programa “Abrace um parque”, que propõe a preservação do meio ambiente e da qualidade de vida dos brasilienses com o plantio de mudas e a conservação dos parques ecológicos do DF. Dos 73 criados, apenas 10 funcionam com uma estrutura mínima para visitação. O restante ficou no papel ou está em péssimas condições. O programa será lançado na abertura da Semana do Meio Ambiente 2008, às 16h, na Biblioteca do Cerrado, no Parque da Cidade.

     Para o presidente do Ibram, Gustavo Souto Maior, os acordos de cooperação com empresas, cidadãos, associações, embaixadas, ONGs e outros representantes da sociedade civil significam a melhor forma de mudar o quadro de descaso com o verde na capital. Só em Planaltina, por exemplo, há nove parques criados, mas todos de papel. “O governo não tem verba nem pessoal para administrar os parques. Para os 73 existentes, foram nomeados apenas 12 administradores. No mais, contamos com a boa vontade de servidores que estão na causa voluntariamente”, revelou.

     A parceria pelo verde vai funcionar da seguinte forma: uma faculdade, por exemplo, que deseja usar um parque nas atividades complementares às salas de aula, poderá fazê-lo livremente. Mas também será responsável pela gestão do local. Mutirões de limpeza, cuidados com as estruturas, eventos comunitários são formas de repartir a responsabilidade. Segundo Gustavo, já há uma parceria acertada com uma faculdade, que deve cuidar do Parque Ecológico do Guará. Outro banco da cidade quer assumir uma das duas áreas do Sudoeste.

     Um modelo de parque bem-sucedido hoje em Brasília é o Olhos D’água, entre as quadras 412 e 413 Norte. No local há pista para cooper com 2km — bem conservada e sinalizada —, equipamentos de ginástica, chuveiros, parquinho para a criançada e uma majestosa e retorcida mata nativa. Só aos domingos, são cerca de três mil usuários. O administrador do parque, Ezequias Vasconcelos, afirma que o segredo para o sucesso é a participação da comunidade. “Aqui todos têm voz. Por meio de uma consulta popular, como exemplo, foi decidido que não pode fumar nem andar de bicicleta aqui”, explicou.

Mão na massa
     Antes mesmo de o Abrace um Parque ser lançado oficialmente, empresários da cidade já começam a preservar as áreas ambientais em meio ao concreto da cidade. É o caso de Sérgio Slavieiro, dono de uma concessionária de automóveis e agora amigo do Parque de Uso Múltiplo da Asa Sul, na Quadra 614, à margem da Avenida das Nações.

     Mato alto e montanhas de entulho eram a paisagem mais comum na área de 22 hectares, que ainda sofre com a falta de estrutura, como uma pista de corrida e bebedouros. Agora, graças a atitudes como a de Sérgio, a vista começa a mudar. A Savana Desenvolvimento Ambiental Sustentável é a empresa parceira que já começou a plantar as primeiras das 3 mil mudas no terreno de jatobá-do-cerrado, aroeira, sucupira, copaíba, ipê-verde, embiriçu, entre outras.

Fonte:
http://cbnews.correioweb.com.br/html..._interna.shtml

Artigo de Opinião

EDUCAÇÃO AMBIENTAL: UM PROJETO PARA TODOS

No dia 28 de maio de 2008 foi lançado o programa “Abrace um parque” pelo Instituto Brasília Ambiental. O objetivo do projeto é investir na qualidade de vida dos brasilienses com vistas a preservar os parques ecológicos do DF com a ajuda da própria comunidade.
O projeto é muito interessante, mas penso que corre sérios riscos se não houver um trabalho de educação ambiental com todos os segmentos da sociedade, inclusive o próprio governo. Nesse sentido, investir na educação, sobretudo nas escolas do DF, é fundamental e deve ser encarado como prioridade. Segundo matéria do Correio Braziliense, publicada neste mesmo dia sobre o assunto, o DF possui 73 parques e somente 10 funcionam com o mínimo de infraestrutura. O governo alega não ter verba e nem pessoal para administrar os parques. Por outro lado, as escolas bem que poderiam desenvolver projetos ambientais para formar a consciência e motivar atitudes por parte da comunidade, mas também sofrem com falta de investimento e recursos pedagógicos. Segundo o jornal “Edição Extra” (no. 272 – maio de 2008) do sindicato dos professores no DF, desde 1999 o GDF deixa de aplicar 25% da verba destinada à educação.
Em tempos modernos, percebo que a relação do homem com a natureza é prejudicial. O consumismo, o aumento populacional nas cidades, a quantidade de carros e o surgimento descontrolado de cidades em áreas de preservação ambiental, além do uso inconsequente dos recursos naturais põem em gravíssimo risco a sobrevivência no planeta. É preciso que a consciência seja de todos, independentemente de classe social. Segundo Sidney Grippi, professor da área de engenharia ambiental da UFRJ, nossa espécie não sabe preservar o meio ambiente, ela mesma é fonte de desequilíbrio e não pensa nas gerações futuras. Por isso, para manter a qualidade de vida, as sociedades humanas devem mudar radicalmente sua postura e suas ações em relação ao meio ambiente.
Não sou especialista no assunto, mas na qualidade de educadora concordo com o professor, creio ser necessário resgatar nos seres humanos a consciência de vida natural. Só haverá desenvolvimento sustentável quando a humanidade for reeducada e restabelecer a relação afetiva, e por que não dizer amorosa, com a natureza.
Assim, poderemos frequentar um parque ecológico e experimentar o verde, ouvir o canto selvagem da água e a inquietação dos animais, sentir a sensação de paz e o cheiro puro de vida, ter a consciência de que também fazemos parte disso tudo. Mas nada disso será possível, se não cuidarmos primeiro do parque ecológico que se encontra dentro de nós mesmos, parque esse tão esquecido e mal tratado. Não basta criar projetos para os outros realizarem, é preciso se comprometer também.

(Andréia Moreira da Silva – professora de Língua Portuguesa da Secretaria de Educação do DF)


terça-feira, 18 de março de 2014


Texto: Eu, etiqueta
Carlos Drummond de Andrade



Em minha calça está gravado um nome
Que não é meu de batismo ou de cartório,
Um nome... estranho.
Meu blusão traz lembrete de bebida
Que jamais pus na boca, nesta vida.
Em minha camiseta, há marca de cigarro
Que não fumo, até hoje não fumei.
Minhas meias falam de produtos
Que nunca experimentei
Mas são comunicados aos meus pés.
Meu tênis é proclama colorido
De alguma coisa não provada
Por este provador de longa idade.
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,
Minha gravata e cinto e escova e pente,
Meu copo, minha xícara,
Minha toalha de banho e sabonete,
Meu isso, meu aquilo,
Desde a cabeça ao bico dos sapatos,
São mensagens,
Letras falantes,
Gritos visuais,
Ordens de uso, abuso, reincidência,
Costume, hábito, premência,
Indispensabilidade,
E fazem de mim homem-anúncio itinerante,
Escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda.
É doce estar na moda, ainda que a moda
Seja negar minha identidade,
Trocá-la por mil, açambarcando
Todas as marcas registradas,
Todos os logotipos do mercado.
Com que inocência demito-me de ser
Eu que antes era e me sabia
Tão diverso de outros, tão mim-mesmo,
Ser pensante, sentinte e solidário
Com outros seres diversos e conscientes
De sua humana, invencível condição.
Agora sou anúncio,
Ora vulgar ora bizarro,
Em língua nacional ou em qualquer língua
(qualquer, principalmente).
E nisto me comprazo, tiro glória
De minha anulação.
Não sou – vê lá – anúncio contratado
Eu é que mimosamente pago
Para anunciar, para vender
Em bares, festas, praias, pérgulas, piscinas,
E bem à vista exibo esta etiqueta
Global no corpo que desiste
De ser veste e sandália de uma essência
Tão viva, independente,
Que moda ou suborno algum o compromete.
Onde terei jogado fora
Meu gosto e capacidade de escolher,
Minhas idiossincrasias tão pessoais,
Tão minha que no rosto se espelhavam,
E cada gesto, cada olhar,
Cada vinco de roupa
Resumia uma estética?
Hoje sou costurado, sou tecido,
Sou gravado de forma universal,
Saio da estamparia, não de casa,
Da vitrine me tiram, recolocam,
Objeto pulsante mas objeto
Que se oferece como signo de outros
Objetos estáticos, tarifados.
Por me ostentar assim, tão orgulhoso
De ser não eu, mas artigo industrial,
Peço que meu nome retifiquem.
Já não me convém o título de homem,
Meu nome novo é coisa.

Eu sou a coisa, coisamente.