Narrativa é um gênero literário que consiste na sucessão de fatos que giram em torno de um ou mais conflitos. A existência dos conflitos é importante, pois são eles que chamam a atenção do público leitor. A narrativa pode ser ficcional quando é fruto da imaginação de um autor e pode ser não ficcional quando narra fatos reais. Abaixo, temos um exemplo de narrativa não ficcional escrita pelo aluno Tiago Ferreira da Silva.
Alguns dias atrás, fui ao Conjunto Nacional comprar roupas junto com minha prima Denise. Fomos à loja Riachuelo e compramos três calças e três camisas. Ela pagou tudo, foi um presente. A compra deu R$ 350,00 e deu direito a três cupons para concorrer a um carro. Ele era um Gol preto, quatro portas e muito bonito. Foi um passeio bem legal, ainda fomos lanchar na lanchonete "MacDonald's" e comi sanduíche e batata frita. Nesse dia também ela me deu três tênis, um para ir à academia de cor preta e dois para ir à escola.
Tiago Ferreira Silva - 8º ano D
A narrativa ficcional é muito útil no jornalismo, pois pode informar ao público diversos acontecimentos. Já a narrativa ficcional interessa muito aos estudiosos da literatura na qualidade de arte da palavra, pois faz o público leitor pensar a realidade a partir de um fato irreal. Em outras palavras, uma mentira que traz à tona uma verdade.
Nesse sentido, os alunos do 8º ano do Ced 01 do Guará foram desafiados a dar continuidade à introdução da crônica de João Anzanell Carrascoza. Eles tinham que imaginar o cenário, as ações dos personagens, descrevendo o ambiente e pensando em um desfecho diferente do original. Vejam primeiro a crônica dos meninos e logo após a crônica original.
Ilustração: Daisy Sartori
Um lição inesperada
"No último dia de férias, Lilico nem dormiu direito. Não via a hora de voltar à escola e rever os amigos. Acordou feliz da vida, tomou o café da manhã às pressas, pegou sua mochila e foi ao encontro deles. Abraços à entrada da escola, mostrou o relógio que ganhara de natal, contou sobre sua viagem ao litoral. Depois ouviu as histórias dos amigos e divertiu-se com eles. Aos poucos, foi matando a saudade das descobertas que fazia ali, das meninas ruidosas, do azul e branco dos uniformes, daquele burburinho à beira do portão. Sentia-se como um peixe de volta ao mar. Mas, quando o sino anunciou o início das aulas, Lilico descobriu que caíra numa classe onde não havia nenhum de seus amigos."
(...)
Era como um território inimigo, uma atmosfera diferente. Mesmo sendo uma típica sala de aula com valentões e meninas fofocando, Lilico sentia falta da sua turma, do "clima".
Sentou-se ao lado de uma garota aparentemente estranha. Ela usava uma fita roxa no cabelo e tinha uma mancha de suco de laranja no casaco. Lhe parecia muito solitária, pois passou a aula inteira conhecendo Lilico, se bem que passou a maior parte do tempo contando o porquê dos tubarões serem as criaturas mais incríveis do mundo.
Passaram-se três horários e fora chamada a atenção de Alice e Lilico, pelo menos, umas quatro vezes. Era como se já se conhecessem há anos, o assunto não acabava. Fizeram dupla no debate de Geografia e arrasaram.]
Lilico se sentia tão bem por ter encontrado alguém assim, era aparente. Tinha percebido que estar em um ambiente novo não era o fim do mundo, uma hora isso iria acontecer. Ela também passara por isso.
Nem se deram conta do quanto o tempo passou rápido. Quando viram, o sinal já tinha tocado e estavam ansiosos para o dia de amanhã.
Bruna Bernardes - 8º ano D
Quando entrou na sala de aula, percebeu o quão desesperado e e desapontado estava pela falta da presença dos seus amigos, mas se sentou na mesa da primeira fileira de cadeiras da sala. Lilico ficou espantado com os outros alunos, comentando sobre a sua presença ali, faziam vários burburinhos desagradáveis sobre ele, mas ele revelou e acabou dando de ombros sobre aquela provocação. O professor era de inglês e Lilico odiava essa matéria, ele ficou bem incomodado com o dia que nada estava dando realmente certo. Até agora aquilo podia ser o pior primeiro dia de aula.
Ao passar dos minutos, tocou o sinal para o intervalo e Lilico foi ao encontro de seus amigos, ele se sentiu mais aliviado. Contudo ao terminar do intervalo, ao passar das aulas de Matemática e Educação Física, ele conseguiu se ajustar ao ambiente totalmente novo, que a tão pouco tempo o fazia sentir hostilizado.
Enfim, o dia de Lilico estava acabando e ele se sentiu um pouco confuso com tamanha confusão de sentimentos que havia passado a tão pouco tempo em poucas horas. Ele saiu pelo portão central do colégio e foi ao encontro dos seus pais.
Eduarda Gomes Xavier - 8º ano D
Nessa classe tinha variados tipos de alunos, uma menina era indiana, outro menino era magrinho e bem alto, já outro era asiático, tinha um bem gordinho e baixo. Então Lilico logo fez seus pré-conceitos dos tais e foi descrevendo:
- Aquela ali é mesquinha, mandona, fresca e patricinha, o magricelo é bobão e bagunceiro, o asiático se acha o bonitão e não tem dificuldade em nada, e o gordinho é irritante e mal-humorado. Não tenho a mínima vontade de conhecer nenhum desses.
Logo depois, a professora manda que Lilico, Dayan, Zayn, Rayn e Hérculles se sentem juntos para fazer uma atividade em grupo. Dayana era a indiana, Zayn era o magricelo, Rayn o asiático e Hérculos o gordinho. Eles fizeram o trabalho dado pela professora e enquanto isso, conversaram para se conhecerem melhor.
Após muita conversa, Lilico descobriu que Dayana era muito simpática e gentil, Zayn era inteligente e organizado, Rayn era um ótimo aluno, mas tinha dificuldade com as exatas e Hércules era divertido e muito engraçado.
Depois disso, Lilico repensou seus pré-conceitos e afirmou que:
- Nem tudo é o que parece ser!
Giovanna Aguiar Duarte - 8º ano C
No último dia de férias, Lilico nem
dormiu direito. Não via a hora de voltar à escola e rever os amigos. Acordou
feliz da vida tomou o café da manhã às pressas, pegou sua mochila e foi ao
encontro deles. Abraçou-os à entrada da escola, mostrou o relógio que ganhara
no Natal, contou sua viagem ao litoral. Depois ouviu as histórias dos amigos e
divertiu-se com eles, o coração latejando de alegria.
Aos poucos foi matando a saudade das
descobertas que fazia ali, das meninas ruidosas, do azul e branco dos
uniformes, daquele burburinho à beira do portão. Sentia-se como um peixe de
volta ao mar. Mas, quando o sino anunciou o início das aulas, Lilico descobriu
que caíra numa classe onde não havia nenhum de seus amigos.
Encontrou lá só gente estranha, que o
observava dos pés à cabeça, em silêncio. Viu-se perdido, e o sorriso que
iluminava o seu rosto se apagou. Antes de começar, a professora pediu a cada
aluno que se apresentasse. Aborrecido, Lilico estudava seus novos companheiros.
Tinha um japonês de cabelos espetados
com jeito de nerd. Uma garota de olhos azuis, vinda do Sul, pareceu-lhe
fria e arrogante. Um menino alto, que quase bateu no teto quando se ergueu,
tinha toda a pinta de ser um bobo. E a menina que morava no sítio? A coitada
comia palavras, olhava-os assustado, igual um bicho-do-mato. O mulato, filho de
pescador, falava arrastado, estalando a língua, com sotaque de malandro. E
havia uns garotos com tatuagens, umas meninas usando óculos de lentes grossas,
todos esquisitos aos olhos de Lilico. A professora? Tão diferente das que ele
conhecera...
Logo que soou o sinal para o recreio,
Lilico saiu a mil por hora, à procura de seus antigos colegas. Surpreendeu-se
ao vê-los em roda, animados, junto aos estudantes que haviam conhecido horas
antes. De volta à sala de aula, a professora passou uma tarefa em grupo. Lilico
caiu com o japonês, a menina gaúcha, o mulato e o grandalhão. Começaram a
conversar cheios de cautela, mas paulatinamente foram se soltando, a ponto de,
ao fim do exercício, parecia que se conheciam a anos.
Lilico descobriu que o japonês não
era nerd não: era ótimo em matemática, mas tinha dificuldade em
português. A gaúcha, que lhe parecia metida, era gentil e o mirava ternamente
com seus lindos olhos azuis. O mulato era um caiçara responsável, ajudava o pai
desde criança e prometeu ensinar a todos os segredos de uma boa pescaria. O
grandalhão não tinha nada de bobo. Raciocinava rapidamente e, com aquele
tamanho, seria legal jogar basquete no time dele. Lilico descobriu inclusive
que o haviam achado mal-humorado quando ele se apresentara, mas já não pensavam
assim. Então, mirou a menina do sítio e pensou no quanto seria bom conhecê-la.
Devia saber tudo de passarinhos. Sim, justamente porque eram diferentes, havia
encanto nas pessoas.
Se ele descobrira aquilo no primeiro
dia de aula, quantas descobertas não haveria de fazer no ano inteiro? E, como
um lápis deslizando numa folha de papel, um sorriso se desenhou novamente no
rosto de Lilico.
Conto de João Anzanello Carrascoza,
Histórias para sonhar acordado, Scipione.


Professora Andreia, tenho que parabeniza-la pela tamanha paciência com nós meros alunos que assistimos suas aulas, estou tão feliz por finalmente ter uma professora que me ensina muito mais que português mais uma maneira de aprender de uma forma mais agradável é certa, dou o maior apoio para o teu blog enfim Parabéns :)
ResponderExcluirObrigada, Eduarda. Sua participação nesse blog é muito importante, pois ouvir a opinião dos meus alunos me ajudará muito a melhor a qualidade de nossas aulas. Quanto a vocês serem meros alunos, não. Todos nós aprendemos na convivência: os professores com os alunos; e os alunos com os professores, pois a aprendizagem é antes de tudo um processo humano. E pode ter certeza, já aprendi muito com você nesse ano. Beijos...
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